segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Panleucopenia Felina (Informativo Tecsa)

 
PANLEUCOPENIA FELINA
 
INTRODUÇÃO:
 
panleucopenia felina, também conhecida como laringoenterite contagiosa ou agranulocitose infecciosa, é uma doença viral que acomete exclusivamente felinos.  Ela é causada por um vírus pertencente à família Parvoviridae, sendo classificado como parvovírus felino. Este vírus é encontrado em todo o ambiente e é altamente contagioso. Seu reservatório são os próprios gatos, sendo transmitido através do contato direto entre animais doentes e susceptíveis, por meio de alimentos, água contaminada, excretas, vômito e também por aerossóis, em casos de comprometimento do trato respiratório. Outro modo de transmissão se dá através de ectoparasitas infectados.
Não há uma preferência por idade ou sexo, no entanto, o vírus infecta e manifesta-se principalmente em gatos jovens, entre 1 e 2 meses até 1 ano de idade, sendo rara sua ocorrência em animais adultos. A maioria das infecções é subclínica, pois 75% dos gatos não vacinados têm anticorpos ao chegar a 1 ano de vida
 
 
Gatos podem contrair a panleucopenia felina durante brigas, devido às mordidas.
 
PATOGENIA:
Este vírus se multiplica em células que estão em divisão ativa, sendo assim, a infecção ocorre em tecidos que possuem alta taxa mitótica. Em animais mais velhos, a infecção ocorre mais intensamente no tecido linfático, medula óssea e criptas da mucosa intestinal. Nos casos de infecção pré-natal tardia ou neonatal precoce, afeta tecido linfático, medula óssea e pode afetar também sistema nervoso central, retina e nervo óptico.
 
Infecção In Útero
Transtornos reprodutivos na gata: morte fetal com reabsorção, infertilidade, aborto e fetos mumificados. Os gatinhos podem conter o vírus subclinicamente por 8 a 9 semanas.
 
Infecção no Sistema Nervoso Central
Só são susceptíveis os animais que sofrem a infecção no estágio pré-natal ou neonatal cedo. Lesão cerebelar é a mais comum, pois o cerebelo desenvolve-se mais tarde, no final da gestação e no início do período neonatal. O vírus interfere com o desenvolvimento do córtex cerebelar e o cerebelo pode ser afetado se a infecção ocorrer até o nono dia de vida. Podem haver lesões na medula espinhal e cérebro, cursando com hidrocefalia e hidranencefalia. Também pode afetar a retina e o nervo óptico.
 
Infecção Sistêmica
A proliferação das células intestinais é maior na presença de bactérias e seus metabólitos, por isso a infecção é menos severa em animais gnotobióticos (ausência de flora intestinal ou flora conhecida). Ocorre viremia plasmática entre 2 e 7 dias pós-infecção, disseminando o vírus para todos os tecidos, sendo infectados aqueles com maior taxa mitótica. Primeiro há necrose linfática, seguida de proliferação e degeneração e involução tímica. Com isso diminui a resposta de linfócitos T citotóxicos, mas não dos B. Os sobreviventes desenvolvem altas taxas de anticorpos, aproximadamente 7 dias pós-infecção, baixando a viremia. As lesões são menos severas no cólon, onde a taxa mitótica é menor. O Jejuno e o íleo são mais afetados que o duodeno, pois têm maior população bacteriana. O dano é maior às células em alta taxa mitótica, nas partes profundas das criptas. As células absortivas diferenciadas dos topos dos vilos não são afetadas. Produz-se diarréia por mal-absorção e hipersecreção. A ocorrência de infecção secundária pela própria flora é usual. Endotoxemia por bactérias Gram negativas com ou sem bacteremia também é comum.
 
SINAIS CLÍNICOS:
Há mais gatos infectados do que com sinais clínicos, devido ao alto nível populacional de anticorpos. Casos, subclínicos, que ocorrem geralmente em gatos mais velhos, usualmente não são detectados. Gatinhos não vacinados apresentam sinais severos, com as maiores taxas de mortalidade e morbidade entre 3 e 5 meses. Febre (40°C a 41,6°C), depressão e anorexia, desidratação extrema (figura 1) são comuns (às vezes o gato fica agachado com a cabeça sobre o pote d’água). Alguns autores mencionam a “posição de panleucopenia” onde o gato tende a ficar com a parte anterior do corpo num plano inferior à posterior, com os quartos traseiros mais erguidos em direção aos dianteiros, na tentativa de amenizar a dor abdominal. Na palpação abdominal encontramos alças espessadas, como cordas, e observa-se desconforto. Geralmente há linfadenomegalia mesentérica, enquanto que linfonodos periféricos não costumam estar aumentados.
 
Figura 1: Desidratação
 
Em infecções complicadas, pode haver ulcerações bucais, diarréia sanguinolenta (figura 2) e icterícia. A desnutrição severa com anorexia associada à intensa desidratação podem levar a um estado semi-comatoso e com hipotermia nos estágios terminais da doença. Geralmente recuperam-se animais que sobreviveram a mais de 5 dias de doença sem complicações, porém pode levar várias semanas. Gatas infectadas durante a prenhez podem apresentar aborto de fetos mortos, às vezes mumificados, e infertilidade, mas não apresentam sinais clínicos gastrintestinais. Alguns gatinhos podem nascer com ataxia, incoordenação, tremores e estado mental normal, típicos de doença cerebelar. Caminham com movimentos amplos (hipermetria), caem freqüentemente para os lados e têm tremores de cabeça. Os sinais de tremores desaparecem durante o sono. Nem todos os gatinhos são afetados ou apresentam os sinais na mesma intensidade. Casos neurológicos geralmente demonstram lesões retinais fúndicas.
 
Figura 2: Diarréia hemorrágica.
 
DIAGNÓSTICO CLÍNICO-LABORATORIAL:
Associam-se, para diagnóstico, os sinais clínicos + leucopenia + detecção de antígenos do vírus. Os leucócitos podem chegar a 50 – 3000 céls / mm3, do quarto ao sexto dia de doença. Tal leucopenia não ocorre em todos os casos, sendo a neutropenia mais importante que a linfopenia. A elevação da leucopoiese indica melhora no prognóstico. Pode haver confusão com salmonelose aguda, pois também cursa com severa leucopenia. Diferencia-se pela cultura fecal das bactérias. É incomum haver anemia, devido à longa vida dos eritrócitos, a menos que haja severa hemorragia intestinal. Anemia arregenerativa persistente e leucopenia são mais sugestivos de leucemia viral. A trombocitopenia é variável (mais presente se houver CID), mas pode ocorrer devido à lesão de medula óssea, no início da infecção. Provas bioquímicas não são específicas: em casos de lesão hepática, costuma haver elevação leve a moderada de ALT, AST e bilirrubina.
A DETECÇÃO DE ANTÍGENOS DE VÍRUS DA PANLEUCOPENIA FELINA EM FEZES DE GATOS É O EXAME MAIS INDICADO PARA A CONCLUSÃO DO DIAGNÓSTICO.

PROFILAXIA:
A vacinação é a maneira mais eficaz na prevenção da Panleucopenia Felina.Títulos de anticorpos maternos acima de 1:10 neutralizam a vacina, entre 1:10 e 1:30, a vacina não é eficaz, porém os gatinhos são suscetíveis à doença. Vacinas podem ser feitas com 12 semanas sem risco de neutralização pelos anticorpos maternos. Após recuperação da doença, a imunidade é vitalícia. Soro hiperimune mantém títulos de anticorpos por 2 a 4 semanas. Utilizar só em gatinhos não vacinados e expostos a animais doentes ou ambientes contaminados. Ambas vacinas, atenuadas e inativadas, são eficazes. As inativadas são seguras em fêmeas prenhes e gatinhos com menos de 4 semanas.

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